{"id":1316,"date":"2020-09-06T18:43:45","date_gmt":"2020-09-06T21:43:45","guid":{"rendered":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/?p=1316"},"modified":"2020-09-06T19:53:05","modified_gmt":"2020-09-06T22:53:05","slug":"perguntas-sao-sempre-boas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/2020\/09\/perguntas-sao-sempre-boas.html","title":{"rendered":"Perguntas s\u00e3o sempre boas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa semana vi um post em algum lugar sobre reprimir crian\u00e7as que t\u00eam quest\u00f5es sobre o g\u00eanero das pessoas (se \u00e9 homem ou mulher). A sugest\u00e3o era dizer pra crian\u00e7a que isso n\u00e3o \u00e9 da conta dela, ou que n\u00e3o importa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, o g\u00eanero de algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 da conta de ningu\u00e9m, e a pessoa tem direito de n\u00e3o falar sobre isso. Mas isso n\u00e3o quer dizer que a pergunta n\u00e3o importa e nem que a crian\u00e7a n\u00e3o tem direito de faz\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiro: o g\u00eanero das pessoas importa, sim, e muito, na nossa sociedade. Somos cercados por todos os lados de regras e privil\u00e9gios de g\u00eanero, desde de antes do nascimento. Tem cor, roupa, jogo, brinquedo separado por g\u00eanero. Festa de revela\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. H\u00e1 uma celebra\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros bin\u00e1rios, um Fla-Flu mesmo. Voc\u00ea pertence ao TIME quando nasce. Conforme a crian\u00e7a cresce, e esses conceitos v\u00e3o se cristalizando gra\u00e7as a toda informa\u00e7\u00e3o constantemente bombardeada, a crian\u00e7a quer de encaixar. Nosso c\u00e9rebro \u00e9 feito pra julgar e categorizar, e sendo dadas somente 2 op\u00e7\u00f5es, \u00e9 assim que a crian\u00e7a entende o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quantos de n\u00f3s temos no conv\u00edvio, na m\u00eddia, nas hist\u00f3rias, da fam\u00edlia, pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias, e falamos sobre isso, para que a crian\u00e7a aprenda a respeito?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sociedade em que vivemos, \u00e9 absolutamente esperado que uma crian\u00e7a identifique 2 g\u00eaneros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a\u00ed vem a segunda parte \u2014 como a crian\u00e7a vai aprender a respeito se n\u00e3o puder perguntar quando se depara com o diferente? As crian\u00e7as s\u00e3o curiosas e aprendem explorando, observando, perguntando, testando hip\u00f3teses. Como os cientistas. Como todos n\u00f3s dev\u00edamos fazer, ali\u00e1s, ao inv\u00e9s de julgar e parar de perguntar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma crian\u00e7a tem d\u00favida sobre o g\u00eanero de algu\u00e9m, \u00e9 porque ela percebeu uma ambiguidade que causou curiosidade. Alimentar a curiosidade e explorar o assunto \u00e9 uma \u00f3tima forma de aprender e ensinar. E pra isso n\u00e3o \u00e9 preciso causar constrangimento a ningu\u00e9m \u2014 basta conversar com a crian\u00e7a como se conversa sobre qualquer assunto, e mostrar que a realidade \u00e9 mais complexa que os 2 g\u00eaneros predominantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo vale pra sexualidade, a orienta\u00e7\u00e3o sexual \u2014 as perguntas s\u00e3o bem vindas! Elas ajudam a abrir horizontes. Deixem as crian\u00e7as perguntar, e vamos responder ensinando sobre o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otto j\u00e1 perguntou para uma amiga se ela era menino ou menina. Ela foi \u00f3tima, e com toda tranquilidade devolveu a pergunta pra ele \u2014 \u201co que voc\u00ea acha?\u201d e ele elaborou a d\u00favida, a ambiguidade. Ela disse que era menina, mas que ele n\u00e3o era o primeiro a ter essa d\u00favida por causa de alguns fatores. Foi uma conversa f\u00e1cil, r\u00e1pida, tranquila. Ela podia tamb\u00e9m ter respondido que n\u00e3o se sentia confort\u00e1vel falando sobre isso, e ele aprenderia que isso \u00e9 uma resposta aceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crian\u00e7as t\u00eam curiosidade sobre g\u00eanero, faz parte da constru\u00e7\u00e3o do g\u00eanero deles tamb\u00e9m. E \u00e9 responsabilidade de todos n\u00f3s educar nossas crian\u00e7as, ajud\u00e1-las a entender o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Me parece absurdo (e contraproducente socialmente) ensinar uma crian\u00e7a que certas coisas n\u00e3o se perguntam, que algumas d\u00favidas n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidas. Todas as perguntas s\u00e3o v\u00e1lidas, todas as d\u00favidas s\u00e3o v\u00e1lidas. O que pode acontecer \u00e9 que algumas perguntas causam desconforto social, e temos que aprender a lidar com isso tamb\u00e9m. O jeito de lidar \u00e9 dialogando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otto fez um coment\u00e1rio (s\u00f3 um mesmo, at\u00e9 hoje!) sobre a apar\u00eancia de uma pessoa (pra mim, n\u00e3o pra pessoa). Expliquei pra ele que todos t\u00eam direito a ter opini\u00e3o, mas que comentar sobre a apar\u00eancia f\u00edsica de algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 adequado, porque \u00e9 uma opini\u00e3o n\u00e3o solicitada. E que julgar as pessoas pela apar\u00eancia n\u00e3o faz sentido, afinal isso n\u00e3o diz nada sobre ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como podemos ensinar uma crian\u00e7a (e aprender n\u00f3s mesmos) sem nos permitir tentar, e \u00e0s vezes errar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da minha parte me comprometo a sempre levar de forma positiva qualquer pergunta que alguma crian\u00e7a me fizer, mesmo que me incomode. E sempre incentivarei meu filho a fazer perguntas e investigar respostas. Ensinando a considerar os sentimentos das pessoas no caminho, claro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa semana vi um post em algum lugar sobre reprimir crian\u00e7as que t\u00eam quest\u00f5es sobre o g\u00eanero das pessoas (se \u00e9 homem ou mulher). A sugest\u00e3o era dizer pra crian\u00e7a que isso n\u00e3o \u00e9 da conta dela, ou que n\u00e3o importa. 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