{"id":267,"date":"2012-08-27T15:40:28","date_gmt":"2012-08-27T18:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/?p=267"},"modified":"2012-08-27T16:09:12","modified_gmt":"2012-08-27T19:09:12","slug":"conversando-com-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/2012\/08\/conversando-com-criancas.html","title":{"rendered":"conversando com crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>escrevi <a href=\"https:\/\/zel.com.br\/archives\/2012\/08\/a-arte-de-olhar-pra-si-mesmo.html\" target=\"_blank\">um post bem completo sobre feedback em geral<\/a>, mas achei importante escrever aqui especificamente sobre como dar feedback para crian\u00e7as, pois creio que a forma como fazemos isso durante a primeira inf\u00e2ncia faz uma diferen\u00e7a enorme para o resto da vida. receber cr\u00edticas faz parte do processo de aprendizado e crescimento, acho imposs\u00edvel educar algu\u00e9m sem pontuar comportamentos inadequados. mas se nem n\u00f3s, adultos, que j\u00e1 aprendemos a racionalizar o mundo, ficamos neutros \u00e0 cr\u00edtica, por mais que ela seja bem explicada e leg\u00edtima, como as crian\u00e7as lidam com isso?<\/p>\n<p>[acho que \u00e9\u00a0 importante mencionar neste ponto que sou contra puni\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. fui uma crian\u00e7a que apanhou (de chinelo) e\u00a0n\u00e3o tenho nenhum trauma (pelo menos que tenha aparecido at\u00e9 hoje, mesmo depois da terapia :D). confesso que os serm\u00f5es da minha m\u00e3e me afetaram (e afetam) mais que as chineladas. mas sou contra, sim, porque acho covardia bater em quem n\u00e3o pode se defender, \u00e9 bem simples. bater \u00e9 um recurso que descarrega a raiva e frustra\u00e7\u00e3o dos pais, que gera medo na crian\u00e7a (o comportamento se altera por medo de apanhar de novo) e que n\u00e3o se preocupa em entender de onde vem o problema. porque, afinal, se voc\u00ea vai se dar ao trabalho de entender o porqu\u00ea do comportamento inadequado, bater na crian\u00e7a acaba sendo desnecess\u00e1rio. al\u00e9m disso, se apanhar resolvesse mesmo toda crian\u00e7a que apanha seria um amor.]<\/p>\n<p>antes de mais nada, ent\u00e3o, uma constata\u00e7\u00e3o que pra mim foi novidade: crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o boas com racionaliza\u00e7\u00e3o. isso n\u00e3o quer dizer que elas n\u00e3o pensam e n\u00e3o entendem o que se passa ao seu redor; quer apenas dizer que elas n\u00e3o dominam a t\u00e9cnica de compreender e mapear o mundo atrav\u00e9s das lentes da raz\u00e3o, pois isso \u00e9 aprendido e dominado com o tempo e o uso. crian\u00e7as s\u00e3o serem emocionais, simplesmente porque \u00e9 desta forma que seu c\u00e9rebro funciona nesta fase (<a href=\"http:\/\/blogideias.com\/2010\/05\/massa-cinzenta-os-dois-lados-do-cerebro.html\" target=\"_blank\">mais direito, menos esquerdo<\/a>). <a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/The-Happiest-Toddler-Block-Four-Year-Old\/dp\/0553381431\">este livro<\/a> que gosto muito (e me ajudou com o otto desde pouco antes de 1 ano) fala bastante sobre isso, ensinando t\u00e9cnicas para lidar com crian\u00e7as de 1 a 4 anos de forma simples e sem grandes dramas e puni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>a maior parte do mundo dos adultos supervaloriza a racionaliza\u00e7\u00e3o. tudo \u00e9 explicado, dissecado, provado e analisado.\u00a0n\u00e3o que eu seja anti <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Iluminismo\" target=\"_blank\">iluminista<\/a>, mas creio que perdemos quando valorizamos demais o racional em detrimento do emocional, esquecemos que somos compostos de raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o e valorizamos mais a primeira que a segunda. e as crian\u00e7as, predominantemente emocionais na primeira inf\u00e2ncia, perdem mais ainda. sem perceber, muitos pais e tutores ensinam suas crian\u00e7as que existem sentimentos &#8220;bons&#8221; e &#8220;maus&#8221;. que sentir raiva, medo, inveja, ci\u00fame, cobi\u00e7a \u00e9 errado e deve ser evitado. nem digo escondido, porque esconder pressup\u00f5e aceitar a exist\u00eancia. somos ensinados a suprimir, temer e ter vergonha dos sentimentos &#8220;negativos&#8221;. mas como fazer isso? n\u00e3o sentir os sentimentos negativos\u00a0seria como deixar de respirar! ent\u00e3o aprendemos a negar e principalmente disfar\u00e7ar sentimentos &#8220;inaceit\u00e1veis&#8221;, travestindo-os de outra coisa.<\/p>\n<p>para ilustrar esse texto, vou usar uma hist\u00f3ria minha que acredito ser perfeita para demonstrar todo o assunto, e que me rendeu v\u00e1rios <em>insights<\/em> na terapia. eu tinha 10 anos, mais ou menos, era natal. nos meses anteriores, criei uma expectativa de ganhar de presente da minha av\u00f3 materna um par de patins. eu amava patins, era in\u00edcio dos anos 80, calculem. sonhei muito com os tais patins, e na noite de natal finalmente eles chegaram. o problema \u00e9 que quando abri o presente, me deparei com patins de pl\u00e1stico, bem vabagundos e obviamente diferentes dos que tinha idealizado. n\u00e3o sei dizer se falei alguma coisa, ou se fiz cara de decep\u00e7\u00e3o, mas certamente demonstrei meu desagrado. s\u00f3 me lembro bem claramente da minha m\u00e3e me chamando no canto, e me dando a maior bronca do mundo, pois minha decep\u00e7\u00e3o tinha chateado a minha av\u00f3, coitada, que era muito pobre e tinha se sacrificado pra comprar aqueles patins que eu tinha desprezado. lembro que chorei muito, e me senti a \u00faltima das criaturas, uma sem cora\u00e7\u00e3o e sem considera\u00e7\u00e3o, mimada.<\/p>\n<p>esse \u00e9 s\u00f3 um exemplo, tenho muitos outros parecidos da minha inf\u00e2ncia. quando crian\u00e7a, fui ensinada a obedecer sem questionar, fazer o que me mandavam e aceitar o que me dessem, sem reclamar. s\u00f3 quando me tornei adolescente \u00e9 que meus pais me deram espa\u00e7o para o questionamento e tomada de decis\u00e3o (fiz minha primeira tatuagem com 15 anos, com aprova\u00e7\u00e3o de ambos!). logo que comecei a dominar a racionaliza\u00e7\u00e3o me convenci de que tinham raz\u00e3o de ser t\u00e3o r\u00edgidos, que assim eu n\u00e3o me tornaria uma mulher mimada e sem no\u00e7\u00e3o, aprenderia o valor das coisas e a respeitar os outros. \u00e9 verdade que aprendi a respeitar os outros, e n\u00e3o sou nem um pouco mimada, mas tem um pequeno detalhe &#8212; n\u00e3o aprendi a <em>respeitar a mim mesma<\/em>, <em>expressar meus sentimentos<\/em> nem a <em>impor limites<\/em>. e estes s\u00e3o atributos fundamentais para qualquer adulto ser minimamente feliz convivendo com outros.<\/p>\n<p>e onde foi que minha m\u00e3e errou nessa hist\u00f3ria? vamos supor que eu tenha deixado claro (verbalmente ou n\u00e3o) para minha av\u00f3 que estava decepcionada com o presente. o que ela devia ter feito?<\/p>\n<p>em primeiro lugar, devia ao menos tentar colocar-se no meu lugar e tentar ver a situa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meus olhos de 10 anos (mas vejam que ela conseguiu se colocar no lugar da minha av\u00f3 muito bem. tenho certeza que minha av\u00f3 n\u00e3o foi reclamar com ela, mas ela teve empatia absoluta com o adulto na situa\u00e7\u00e3o). ali\u00e1s, arrisco dizer que ela deve ter projetado suas pr\u00f3prias frustra\u00e7\u00f5es de crian\u00e7a e adulta nessa situa\u00e7\u00e3o, algo como &#8220;eu era muito mais pobre e n\u00e3o reclamava! nem ganhava presente de natal!&#8221;.<\/p>\n<p>se tivesse se colocado no meu lugar, ela teria percebido que \u00e9 absolutamente normal ficar chateado\u00a0por ganhar um presente vagabundo. mesmo que n\u00e3o fosse vagabundo &#8212; sonhar com X e ganhar Y \u00e9 motivo de frustra\u00e7\u00e3o. n\u00e3o importa se a expectativa era real, imagin\u00e1ria, se eu devia ou n\u00e3o ter criado expectativa, \u00e9 irrelevante. <em>o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo<\/em>, e compreens\u00edvel. sem julgamento de certo\/errado, \u00e9 simples entender.<\/p>\n<p>essa \u00e9 a primeira dica &#8212; <strong>n\u00e3o julgue sentimentos, reconhe\u00e7a o direito do outro a sentir o que estiver sentindo<\/strong>. sentimentos s\u00e3o o que s\u00e3o, nem bons nem ruins, nem certo nem errados. d\u00ea \u00e0 crian\u00e7a o direito de sentir o que quer que ela esteja sentindo. n\u00e3o diga que a crian\u00e7a n\u00e3o deve ou &#8220;n\u00e3o tem porqu\u00ea&#8221; sentir X. todas as pessoas t\u00eam direito de sentir o que sentem, ponto final.<\/p>\n<p>e quanto ao fato de eu ter demonstrado que me chateei, chateando minha pobre av\u00f3? ela poderia ter me explicado <em>sua percep\u00e7\u00e3o<\/em> &#8212; que quando eu demonstrei t\u00e3o claramente minha decep\u00e7\u00e3o, minha av\u00f3 tinha se sentido mal por n\u00e3o ter agradado, e que ela tamb\u00e9m tinha se sentido mal por empatia. reconhe\u00e7o o potencial educacional de mostrar que minha\u00a0rea\u00e7\u00e3o de desprezo ou chatea\u00e7\u00e3o com o presente tamb\u00e9m teve consequ\u00eancias, que se por um lado eu me chateei por n\u00e3o ganhar o que queria, por outro a minha av\u00f3 estava decepcionada por n\u00e3o ter me agradado. seria uma forma de mostrar causa\/consequ\u00eancia sem julgar quem est\u00e1 certo ou errado, s\u00f3 mostrando fatos.<\/p>\n<p>a segunda dica \u00e9 &#8212; <strong>mostre como o nosso comportamento afeta os demais ao redor, ou seja, quais s\u00e3o as consequ\u00eancias dos nossos atos<\/strong>. use a realidade (o exemplo) para demonstrar que quando sentimos e falamos\/mostramos X, as pessoas como consequ\u00eancia tamb\u00e9m sentem e falam\/demonstram Y. \u00e9 assim que funcionam os relacionamentos, a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o. cada oportunidade destas \u00e9 uma chance de mostrar para a crian\u00e7a como funcionam os relacionamentos. elas t\u00eam direito de sentir o que quiserem, e de se manifestarem, por\u00e9m existem consequ\u00eancias, e precisamos lidar com elas. esse \u00e9 o processo, super dif\u00edcil, de amadurecimento.<\/p>\n<p>minha m\u00e3e devia ter reconhecido meu direito de me chatear, sem me fazer sentir inadequada por n\u00e3o gostar do que ganhei, isso nem se discute. e poderia tamb\u00e9m ter me feito perceber que quando eu demonstrei minha chatea\u00e7\u00e3o, isso causou uma frustra\u00e7\u00e3o na minha av\u00f3 (causa\/efeito). poderia ter me dito que era uma op\u00e7\u00e3o minha disfar\u00e7ar a frustra\u00e7\u00e3o ou demonstr\u00e1-la, dependendo de como quisesse lidar com as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>mas e se eu tivesse sido realmente grosseira\u00a0 &#8212; tipo jogado o presente no ch\u00e3o ou dito que aquilo era uma &#8220;porcaria&#8221;? meu sentimento continuaria v\u00e1lido, a diferen\u00e7a \u00e9 que neste caso meu comportamento n\u00e3o seria socialmente aceit\u00e1vel. a crian\u00e7a pode sentir o que quiser, mas precisa respeitar minimamente as regras da comunidade em que vive. destaco &#8220;comunidade&#8221; porque alguns comportamentos s\u00e3o aceitos em certos c\u00edrculos e n\u00e3o s\u00e3o em outros. como pai ou educador, acho que devemos &#8220;equalizar&#8221; comportamento conforme a sociedade de forma mais ampla poss\u00edvel, para que a crian\u00e7a n\u00e3o sinta um choque quando sai do conv\u00edvio familiar para um c\u00edrculo mais amplo.<\/p>\n<p>da\u00ed vem\u00a0a terceira dica &#8212; <strong>diga exatamente que comportamento \u00e9 esperado, e deixe claras as consequ\u00eancias caso n\u00e3o seja adequado<\/strong>. n\u00e3o adianta dizer &#8220;n\u00e3o fa\u00e7a assim&#8221; e n\u00e3o dizer o que espera que seja feito. d\u00ea o exemplo no dia a dia, e reforce no momento da conversa, mostre como se comportar de forma aceit\u00e1vel. fale sobre as vantagens de comportar-se desta forma, das desvantagens de outras formas. explique o que pode e vai acontecer caso insista em se comportar de forma inadequada. e, \u00e9 claro&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; a quarta dica \u00e9 &#8212; <strong>garanta que existam consequ\u00eancias (ou esclare\u00e7a consequ\u00eancias que n\u00e3o foram percebidas)<\/strong>. na minha hist\u00f3ria, seria t\u00e3o simples quanto minha m\u00e3e chamar minha aten\u00e7\u00e3o para a chatea\u00e7\u00e3o da minha av\u00f3 com meu comportamento. se eu tivesse sido grosseira, ela poderia al\u00e9m de falar da chatea\u00e7\u00e3o da minha av\u00f3, explicar que ser grosseiro n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, pedir que eu me desculpasse pela grosseria e aplicar algum tipo de castigo (doar os patins? n\u00e3o us\u00e1-los? ou qualquer outra coisa que me fizesse &#8220;sentir&#8221; a consequ\u00eancia).<\/p>\n<p>mas n\u00e3o esque\u00e7a da dica mais importante, e mais cr\u00edtica, quando se trata\u00a0com crian\u00e7as\u00a0&#8212; <strong>n\u00e3o coloque em quest\u00e3o seu amor por elas em fun\u00e7\u00e3o de comportamentos inadequados<\/strong>. ningu\u00e9m *\u00e9* o que *faz*. n\u00e3o \u00e9 porque algu\u00e9m erra em alguma situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 errado, ponto final. as pessoas erram de forma circunstancial, \u00e0s vezes por ignor\u00e2ncia, \u00e0s vezes de prop\u00f3sito, mas s\u00f3 os psicopatas n\u00e3o se importam. a grande maioria das pessoas erra por falta de orienta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e feedback. a maioria das pessoas n\u00e3o quer chatear as outras, causar conflitos. e as crian\u00e7as erram porque est\u00e3o aprendendo, porque seguem exemplos muitas vezes errados, porque n\u00e3o sabem controlar seus impulsos ou <em>porque querem chamar a aten\u00e7\u00e3o<\/em>. cabe aos educadores, em especial os pais, entender os motivos da crian\u00e7a e ensin\u00e1-la a se comportar de forma adequada.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>s\u00e3o poucos pontos para praticar, mas \u00e9 longe de ser simples, especialmente pelos seguintes fatores:<\/p>\n<p>&#8211; como ter empatia com o sentimento do outro quando nunca tiveram empatia com os seus, ou quando voc\u00ea mesmo n\u00e3o tem empatia consigo mesmo?<\/p>\n<p>&#8211; como separar claramente sentimento e comportamento como coisas independentes?<\/p>\n<p>&#8211; como orientar sobre comportamento adequado caso voc\u00ea mesmo n\u00e3o seja o melhor dos exemplos?<\/p>\n<p>&#8211; como &#8220;impor&#8221; consequ\u00eancias balanceadas, compat\u00edveis com o comportamento inadequado?<\/p>\n<p>&#8211; c0mo deixar claro para a crian\u00e7a que n\u00f3s a amamos mesmo quando elas erram, que errar n\u00e3o \u00e9 definitivo e que elas podem corrigir seu comportamento?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>n\u00e3o sei se \u00e9 claro pra voc\u00eas como \u00e9 pra mim que para conseguir seguir estes passos minimamente precisamos:<\/p>\n<p>&#8211; conhecer a n\u00f3s mesmos muito bem<\/p>\n<p>&#8211; livrar-nos de fantasmas e traumas do passado<\/p>\n<p>&#8211; perdoar nossos pr\u00f3prios erros, e saber que erramos e erraremos de novo e que podemos acertar<\/p>\n<p>&#8211; amar e aceitar a pessoa e criticar somente o comportamento<\/p>\n<p>&#8211; conseguir nos colocar no lugar do outro<\/p>\n<p>&#8211; dar bons exemplos, fazer o que diz\u00a0&#8212; <em>walk the talk<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>pode ser dif\u00edcil, sim, mas \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel, e muito gratificante porque <em>funciona<\/em>. n\u00e3o s\u00f3 com crian\u00e7as mas com adultos tamb\u00e9m. e \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m se recuperar de uma educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se preocupou com nenhuma dessas coisas &#8212; eu sou prova viva disso!<\/p>\n<p>e para lidar com crian\u00e7as na idade do otto (at\u00e9 4 anos) em situa\u00e7\u00e3o de crise de comportamento (chilique :D), adicionaria\u00a0alguns complementos:<\/p>\n<p>1) fale com a crian\u00e7a &#8220;de igual pra igual&#8221; &#8212; com <strong>palavras simples<\/strong>, muitas <strong>repeti\u00e7\u00f5es<\/strong> das palavras-chave e com <strong>muitas express\u00f5es faciais<\/strong>. a melhor forma de se &#8220;conectar&#8221; com a crian\u00e7a \u00e9 olhar no olho e demonstrar que voc\u00ea entendeu como ela se sente. quando ela perceber que voc\u00ea entendeu como ela est\u00e1 se sentindo (empatia), o chilique acaba. juro por deus.<\/p>\n<p>2) explique de forma simples o que voc\u00ea quer que\u00a0a crian\u00e7a\u00a0<strong>n\u00e3o fa\u00e7a<\/strong> e o que voc\u00ea quer que ela <strong>fa\u00e7a<\/strong>. por exemplo: &#8220;otto, andar sozinho na rua n\u00e3o pode. na rua, s\u00f3 com a m\u00e3o dada.&#8221;<\/p>\n<p>3) <strong>d\u00ea op\u00e7\u00f5es<\/strong>, sempre. mesmo que elas pare\u00e7am bobas pra voc\u00ea, para a crian\u00e7a \u00e9 importante sentir que decidiu. por exemplo: &#8220;otto, voc\u00ea pode dar a m\u00e3o para andar na rua ou voc\u00ea vai no colo. o que voc\u00ea prefere?&#8221;. n\u00e3o quer dar a m\u00e3o? n\u00e3o vai andar sozinho, ponto final.<\/p>\n<p>e, \u00e9 claro, bom senso: h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o cabe conversar, discutir e dar op\u00e7\u00f5es. esse processo de feedback tem como objetivo educar a crian\u00e7a\u00a0para aprender a se comportar em sociedade, \u00e9 trabalho de formiguinha, de todo dia, n\u00e3o \u00e9 uma ocasi\u00e3o ou outra de &#8220;fa\u00e7a o que eu digo&#8221; que vai traumatizar a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>no mais, gente&#8230; boa sorte pra todos n\u00f3s \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>escrevi um post bem completo sobre feedback em geral, mas achei importante escrever aqui especificamente sobre como dar feedback para crian\u00e7as, pois creio que a forma como fazemos isso durante a primeira inf\u00e2ncia faz uma diferen\u00e7a enorme para o resto da vida. receber cr\u00edticas faz parte do processo de aprendizado e crescimento, acho imposs\u00edvel educar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[81,204,82],"class_list":["post-267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","tag-a-auto-estima-do-seu-filho","tag-educacao","tag-feedback"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}