{"id":354,"date":"2013-06-04T15:27:05","date_gmt":"2013-06-04T18:27:05","guid":{"rendered":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/?p=354"},"modified":"2013-06-04T15:27:05","modified_gmt":"2013-06-04T18:27:05","slug":"o-primeiro-acidente-domestico-a-gente-nao-esquece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/2013\/06\/o-primeiro-acidente-domestico-a-gente-nao-esquece.html","title":{"rendered":"o primeiro acidente dom\u00e9stico a gente n\u00e3o esquece"},"content":{"rendered":"<p>neste domingo, no finalzinho do dia, tivemos nosso primeiro acidente dom\u00e9stico importante (ou seja &#8212; que precisou de exames\/interven\u00e7\u00e3o): o otto prendeu os 4 dedinhos da m\u00e3o direita no v\u00e3o da porta (do lado da dobradi\u00e7a), bem no meio dos dedos \ud83d\ude41<\/p>\n<p>eu estava cozinhando, enquanto ele brincava na despensa, como sempre faz. mas pela primeira vez decidiu enfiar seus dedinhos no v\u00e3o e abrir a porta&#8230; at\u00e9 prender.<\/p>\n<p>n\u00e3o consigo esquecer a carinha dele, come\u00e7ando a chorar e me chamando &#8220;mam\u00e3e, eu prendi os dedinhos na porta&#8230;&#8221;. eu, desesperada pra ajudar, n\u00e3o percebi que bastava &#8220;fechar&#8221; ele atr\u00e1s da porta de novo pros dedos soltarem. fiquei ali, tentando entender o mecanismo, e enquanto isso os dedinhos presos. como n\u00e3o fechei a porta o suficiente pra conseguir soltar, soltei os dedinhos arranhando a parte gordinha. ficou bastante inchado, e arranhou de leve (por sorte n\u00e3o cortou). colocamos gelo, e o pai levou pro PS em pleno domingo \u00e0 noite. depois do resultado do exame (que n\u00e3o deu nada), liguei pra pediatra, que pediu um exame feito por um ortopedista pedi\u00e1trico, j\u00e1 que nessa idade os ossos s\u00e3o muito pequenos e male\u00e1veis, n\u00e3o \u00e9 qualquer m\u00e9dico que sabe avaliar.<\/p>\n<p>fizemos o exame no dia seguinte, e tudo estava bem, tudo perfeito. a m\u00e3ozinha j\u00e1 tinha desinchado bem, felizmente, e ele amanheceu desenhando e usando a m\u00e3o normalmente.<\/p>\n<p>mas fiquei de cora\u00e7\u00e3o partido com ele chorando e olhando a m\u00e3ozinha, pedindo ajuda e depois reclamando da dor (ou do susto, n\u00e3o d\u00e1 pra saber direito). fiquei me sentindo culpada, n\u00e3o pelo acidente em si, mas por n\u00e3o conseguir ter sangue-frio suficiente pra ajud\u00e1-lo mais r\u00e1pido e de forma mais eficiente. \u00e9 como um filme que passa pela cabe\u00e7a mil vezes depois (&#8220;poderia ter feito isso, e aquilo, e aquilo outro&#8230;&#8221;). tudo in\u00fatil, claro.<\/p>\n<p>fiquei pensando em como \u00e9 dif\u00edcil esse papel de pai e m\u00e3e, de proteger a crian\u00e7a. porque \u00e9 disso que se trata &#8212; nosso trabalho \u00e9 proteg\u00ea-lo. e eu falhei. sei que vai acontecer muitas vezes ainda, e que no limite eu n\u00e3o posso proteg\u00ea-lo de tudo (afinal, ele precisa descobrir os limites do mundo por conta pr\u00f3pria tamb\u00e9m, oras), mas eu <em>queria<\/em>. sofrimento de filho \u00e9 pior que o nosso pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>e &#8212; clich\u00ea dos clich\u00eas &#8212; s\u00f3 agora consigo ter plena empatia pela situa\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e, de 3 crian\u00e7as muito peraltas. por mais que racionalmente seja poss\u00edvel entender o que passa uma m\u00e3e, sua preocupa\u00e7\u00e3o com os filhos, sem ter filhos esse entendimento racional \u00e9 basicamente nada. nenhum conhecimento prepara a gente pra tempestade de emo\u00e7\u00f5es que \u00e9 ver seu filho chorando, machucado, com dor. por menor que seja, \u00e9 muito dif\u00edcil. antecipo muitos anos de sofrimento compartilhado pela frente, diante das molecagens que ele come\u00e7ou a aprontar&#8230;<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>e no meio disso tudo, com a m\u00e3ozinha machucada e inchada, enquanto o pai se vestia para ir com ele ao PS, ele comeu um prato de arroz, feij\u00e3o, carninha e chuchu. porque era isso que eu fazia enquanto ele se escondia atr\u00e1s da porta: o jantar.<\/p>\n<p>se comportou como um lorde no exame com a m\u00e9dica plantonista, com o mo\u00e7o do raio-X, com o ortopedista, e com a m\u00e9dica (era retorno de consulta, por coincid\u00eancia, no dia seguinte). avisou que ela poderia examin\u00e1-lo, mas &#8220;sem ouvir o cora\u00e7\u00e3o. n\u00e3o quero o estetosc\u00f3pio&#8221;. a m\u00e9dica, claro, se encantou por ele saber o que \u00e9 o aparelho, e por falar t\u00e3o direitinho. nosso menino curioso e louco por palavras dif\u00edceis e um tiquinho hipocondr\u00edaco \ud83d\ude42<\/p>\n<p>no final tudo ficou bem, e voltamos \u00e0 normalidade. mas o primeiro acidente a gente n\u00e3o esquece (eu acho. na d\u00favida, fica o registro!)<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p><strong>PS<\/strong>: ele teve um outro acidente (com corte e sangue, no superc\u00edlio), mas foi na escola. n\u00f3s s\u00f3 vimos o resultado, que virou uma cicatriz at\u00e9 charmosinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>neste domingo, no finalzinho do dia, tivemos nosso primeiro acidente dom\u00e9stico importante (ou seja &#8212; 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