{"id":58,"date":"2010-08-17T22:53:23","date_gmt":"2010-08-17T22:53:23","guid":{"rendered":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/?p=58"},"modified":"2011-03-02T16:40:05","modified_gmt":"2011-03-02T16:40:05","slug":"sobre-autoestima-e-vaidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/2010\/08\/sobre-autoestima-e-vaidade.html","title":{"rendered":"sobre auto-estima e vaidade"},"content":{"rendered":"<p>a <a href=\"http:\/\/allthosecanthelps.wordpress.com\/2010\/08\/17\/smart-cookie-tough-bite\/\">cam<\/a> come\u00e7ou bem l\u00e1 no blog novo, e trouxe um assunto que venho tangenciando h\u00e1 tempos, n\u00e3o como m\u00e3e mas como filha (e me tornar m\u00e3e vai complicar mais ainda esse caldo!): a constru\u00e7\u00e3o da auto-estima e a influ\u00eancia dos pais nesse processo.<\/p>\n<p>n\u00e3o li o artigo indicado da rosely say\u00e3o (n\u00e3o assino a folha), ent\u00e3o n\u00e3o posso opinar, mas tenho algumas contribui\u00e7\u00f5es que fazem parte da minha auto-an\u00e1lise. e \u00e9 claro que tentarei aplicar o que acho mais razo\u00e1vel com meu pr\u00f3prio filho, quando a hora chegar. mencionei um artigo da <a href=\"http:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/problema-elogio-552526.shtml\">superinteressante<\/a>, que a <a href=\"http:\/\/kaleidoscopio.blogger.com.br\">dani<\/a> achou online, e mencionei tamb\u00e9m um dos livros mais importantes que li nos \u00faltimos anos: <a href=\"http:\/\/www.xadrezregional.com.br\/not05194.html\">a auto-estima do seu filho<\/a> (linkei um trecho ao inv\u00e9s do livro, que \u00e9 f\u00e1cil achar. peda\u00e7o interessante pra citar :)).<\/p>\n<p>vou fazer uma mistura das duas refer\u00eancias, porque elas podem parecer contradit\u00f3rias \u00e0 primeira vista, mas acho que s\u00e3o na verdade complementares.<\/p>\n<p>algumas coisas do livro s\u00e3o datadas (o cap\u00edtulo sobre sexualidade eu dispenso), mas a base dele, que trata da constru\u00e7\u00e3o da auto-estima, \u00e9 preciosa. os meus 3 anos de terapia foram baseados nas &#8220;t\u00e9cnicas&#8221; deste livro, e n\u00e3o vai dar pra explicar num post o quanto conceitos t\u00e3o simples mudaram minha vida. digo que sou outra pessoa depois de entender como minha auto-estima foi prejudicada e tamb\u00e9m como eu repetia (e repito ainda, \u00e9 dif\u00edcil abandonar esse <em>modus operandi<\/em> herdado dos nossos pais) o mesmo comportamento com os que me cercam. a boa not\u00edcia \u00e9 que tem conserto, e nunca \u00e9 tarde pra come\u00e7ar a mudar (seja o estrago feito em voc\u00ea, seja seu comportamento com os outros).<\/p>\n<p>a id\u00e9ia do livro \u00e9 simples: as pessoas precisam se sentir compreendidas, aceitas e amadas para serem felizes. e isso n\u00e3o significa que devemos aceitar qualquer tipo de comportamento, muito pelo contr\u00e1rio: podemos e devemos mostrar ao outro que \u00e0s vezes seu comportamento nos magoa, incomoda e machuca e que n\u00e3o queremos ser ofendidos; e da mesma forma, devemos mostrar que outros comportamentos nos deixam felizes. mas \u00e9 essencial evitar o julgamento, o r\u00f3tulo. o indiv\u00edduo precisa sentir (ou saber) que \u00e9 valorizado por aqueles que ama e admira principalmente pelo que \u00e9, e n\u00e3o s\u00f3 pelo que faz ou demonstra.<\/p>\n<p>cada vez que rotulamos algu\u00e9m (e esse processo de rotulagem come\u00e7a quando nascemos, pelos nossos pais e parentes), estamos limitando sua capacidade e percep\u00e7\u00e3o de si mesmo. e acho que a\u00ed est\u00e1 o link entre o livro e o artigo: sempre pensamos em preju\u00edzo \u00e0 auto-estima relacionado a cr\u00edticas e repreens\u00f5es, mas o elogio tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de pris\u00e3o. a expectativa criada quando somos elogiados pode nos restringir tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>vou tentar exemplificar os 2 casos.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>caso 1<\/strong><\/span> ou &#8220;como fazer algu\u00e9m se sentir inadequado&#8221;:<\/p>\n<p>quantas vezes voc\u00eas j\u00e1 viram m\u00e3es (av\u00f3s, pais, tios&#8230;) dizerem a uma crian\u00e7a algo como &#8220;mas a vov\u00f3 veio at\u00e9 aqui pra te ver e voc\u00ea nem vai dar um beijo? que feio, como voc\u00ea \u00e9 mal-educado. a vov\u00f3 tamb\u00e9m n\u00e3o gosta mais de voc\u00ea, ent\u00e3o!&#8221;? ou o cl\u00e1ssico &#8220;voc\u00ea n\u00e3o vai comer essa comida que a mam\u00e3e fez com tanto amor? a mam\u00e3e vai ficar triste!&#8221;. eu ali\u00e1s escuto coisas neste mesmo tom com 38 anos de idade, e n\u00e3o s\u00f3 de fam\u00edlia, mas de amigos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>o problema aqui \u00e9 o seguinte: por causa de uma a\u00e7\u00e3o ou comportamento (n\u00e3o cumprimentar, n\u00e3o querer comer), o sentimento de amor e aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 colocado em jogo. o que diz <em>n\u00e3o<\/em> \u00e9 questionado (dizer n\u00e3o = n\u00e3o amar) e o que recebe a recusa usa seu amor como amea\u00e7a ou moeda de troca (se voc\u00ea quer ser amado, fa\u00e7a o que eu quero). as frases parecem bobas e inocentes, e afinal, estamos brincando, n\u00e3o \u00e9? n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. esse tipo de queda de bra\u00e7o que coloca o afeto em jogo destr\u00f3i a auto-estima do outro, e impede que ele se sinta \u00e0 vontade para expressar o que verdadeiramente quer. de novo: n\u00e3o significa que as pessoas que se sentiram ofendidas n\u00e3o possam se manifestar, elas podem e devem. mas de outra forma. que tal assim, por exemplo: &#8220;que pena que n\u00e3o vou ganhar um beijo! eu estava com saudade e adoraria receber um beijo seu&#8221;. no outro caso, que tal &#8220;fiz essa comida especialmente pra voc\u00ea, porque fico feliz quando voc\u00ea come as coisas que eu fa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>vejam que a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 ganhar a briga, mas expressar sentimentos (bons ou ruins) sem julgar o outro ou amea\u00e7\u00e1-lo. afinal, tudo o a gente devia querer nos nossos relacionamentos \u00e9 ser feliz e se poss\u00edvel fazer os outros felizes!<\/p>\n<p>o outro problema do r\u00f3tulo \u00e9 que uma vez colocado, h\u00e1 o risco do outro aceit\u00e1-lo de vez. voc\u00ea diz que algu\u00e9m \u00e9 pregui\u00e7oso, mal-educado ou tagarela e pronto: a pessoa se acredita assim e vai fazer de tudo pra se encaixar no r\u00f3tulo. j\u00e1 cansei de ver crian\u00e7as repetindo rotula\u00e7\u00f5es dos seus pais: &#8220;\u00e9 que eu sou t\u00edmido&#8221; ou &#8220;\u00e9 que eu n\u00e3o gosto de TV&#8221;. \u00e9 um crime rotular qualquer pessoa, mas \u00e9 especialmente cruel fazer isso com crian\u00e7as.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>caso 2<\/strong><\/span> ou &#8220;como fazer algu\u00e9m n\u00e3o se aventurar&#8221;:<\/p>\n<p>coment\u00e1rios cr\u00edticos tamb\u00e9m cabem aqui, claro, mas gosto do ponto do artigo superinteressante sobre o preju\u00edzo que os elogios podem causar. acho que as pessoas \u00e4s vezes confundem auto-estima com vaidade. voc\u00ea pode perfeitamente construir (ou n\u00e3o atrapalhar!) a auto-estima do outro sem apelar para a vaidade. e no caso de pais e filhos, esse limite \u00e9 mesmo t\u00eanue, porque elogiar qualidades dos filhos normalmente significa exaltar qualidades dos pr\u00f3prios pais (sen\u00e3o as mesmas, herdadas, a grande qualidade de ter colocado este prod\u00edgio no mundo).<\/p>\n<p>\u00e9 f\u00e1cil cair na armadilha de elogiar resultados\/a\u00e7\u00f5es, rotulando as crian\u00e7as (ou adultos, vale o mesmo) como inteligentes, engra\u00e7adas, soci\u00e1veis, talentosas ou seja l\u00e1 o que for. e basta rotular pra que a gente se acomode no papel X, como se intelig\u00eancia ou gra\u00e7a (pra dar exemplos) fossem d\u00e1divas que n\u00e3o demandam esfor\u00e7o ou investimento ou ainda pior: como se n\u00e3o pud\u00e9ssemos mais fazer menos que o melhor, <em>sob risco de sermos menos amados<\/em>.<\/p>\n<p>o problema todo (e a solu\u00e7\u00e3o, na minha opini\u00e3o!) est\u00e1 em entender que temos medo das pessoas que amamos nos admirarem ou amarem <span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>menos<\/strong><\/span> em fun\u00e7\u00e3o do que fazemos. porque a verdade \u00e9 que as pessoas pisam na bola, errar faz parte de ser humano. \u00e9 claro que tudo o que fazemos afeta os que nos cercam, e \u00e9 importante que cada indiv\u00edduo entenda isso desde pequeno (a\u00e7\u00e3o\/rea\u00e7\u00e3o). o que realmente faz com que nossa auto-estima seja firme e forte n\u00e3o \u00e9 receber montes de elogios e tampouco n\u00e3o receber cr\u00edticas ou n\u00e3os, mas a certeza de que <em>aquelas pessoas que s\u00e3o essenciais pra n\u00f3s nos amam mesmo quando erramos e apesar dos nossos erros e fracassos<\/em>. eles nos amam mesmo quando n\u00e3o somos assim t\u00e3o inteligentes ou espertos ou legais.<\/p>\n<p>quando sentimos que somos amados <em>no matter what<\/em>, nos damos o direito de errar e nos perdoamos quando pisamos na bola. e nem preciso dizer que s\u00f3 quem se permite errar \u00e9 que acerta, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>como filha, aprendi a filtrar as in\u00fameras chantagens emocionais dos meus pais (e aprendi tamb\u00e9m a me manifestar verbalmente quando essas chantagens me machucam) e repito pra mim mesma em non-stop &#8220;eles me amam, n\u00e3o importa como eu me saia. eu n\u00e3o preciso provar nada pra eles!&#8221;.<\/p>\n<p>como amiga, chefe ou coisa parecida, aprendi a n\u00e3o julgar ou rotular. e apesar de vira e mexe cair na armadilha, aprendi que a melhor forma de me relacionar com as pessoas \u00e9 me concentrar em como EU me sinto a respeito do que elas fazem, e deix\u00e1-las saber disso. se me chateiam, eu digo que me chateei e explico como me sinto quando elas agem assim ou assado. \u00e9 responsabilidade delas mudar o comportamento ou n\u00e3o. usando um clich\u00ea, \u00e9 um jogo de frescobol mesmo: cada um precisa fazer sua parte pra bola n\u00e3o parar de quicar. e n\u00e3o se iludam: \u00e9 dif\u00edcil agir assim. principalmente porque nossos problemas de auto-estima se colocam como barreiras pra aceitar o outro e ser honesto.<\/p>\n<p>e como m\u00e3e, vamos ver&#8230; pretendo seguir os princ\u00edpios que aprendi e acredito serem corretos: ser honesta; n\u00e3o rotular ou julgar; dizer como me sinto (quando fico feliz ou triste); refor\u00e7ar que meu amor \u00e9 incondicional, sim. mesmo quando disser n\u00e3o, colocar de castigo ou perder a paci\u00eancia \ud83d\ude00<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>a cam come\u00e7ou bem l\u00e1 no blog novo, e trouxe um assunto que venho tangenciando h\u00e1 tempos, n\u00e3o como m\u00e3e mas como filha (e me tornar m\u00e3e vai complicar mais ainda esse caldo!): a constru\u00e7\u00e3o da auto-estima e a influ\u00eancia dos pais nesse processo. n\u00e3o li o artigo indicado da rosely say\u00e3o (n\u00e3o assino a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[13],"class_list":["post-58","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-maternidade","tag-semana40"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}