{"id":59,"date":"2010-08-20T11:50:09","date_gmt":"2010-08-20T11:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/?p=59"},"modified":"2010-08-20T11:50:09","modified_gmt":"2010-08-20T11:50:09","slug":"os-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zel.com.br\/fabricando\/2010\/08\/os-pais.html","title":{"rendered":"os pais"},"content":{"rendered":"<p>quero dizer o plural da metade masculina dos pais de uma crian\u00e7a, ou seja, o homem. eles podem ser nossos maridos ou n\u00e3o e morar na mesma casa ou n\u00e3o, tanto faz. quero falar um pouco sobre como vejo o papel dos pais na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, especialmente em colabora\u00e7\u00e3o com as famigeradas m\u00e3es.<\/p>\n<p>e s\u00f3 pra ficar claro: tudo o que vou dizer aqui, essa minha vis\u00e3o de como as coisas devem ser, se aplica somente aos pais <strong>volunt\u00e1rios<\/strong>. ou seja, aqueles que decidiram ser pais e concordaram com a empreitada. sou a favor do aborto e completamente contra mulheres que seguem adiante com uma gravidez \u00e0 revelia do futuro pai. na pior das hip\u00f3teses, se ela for contra o aborto ou coisa equivalente, ela n\u00e3o deve cobr\u00e1-lo de nenhuma responsabilidade. afinal, engravidar \u00e9 uma escolha sim, a menos que voc\u00ea tenha sido estuprada.<\/p>\n<p>outra coisa importante de dizer j\u00e1 \u00e9 que sei muito bem que alguns v\u00e3o se identificar com os problemas que eu estou comentando, e at\u00e9 como forma de defesa ou auto-justificativa v\u00e3o dizer que &#8220;\u00e9 f\u00e1cil falar&#8221; ou &#8220;quando for seu filho, depois que ele nascer, voc\u00ea vai mudar de id\u00e9ia&#8221;. n\u00e3o, gente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar e a possibilidade de mudar de id\u00e9ia quanto a algumas coisas n\u00e3o invalida os pontos que vou comentar. porque no fundo, voc\u00eas v\u00e3o ver, estou falando de se comportar como adultos de verdade e ser (ou se tornar) um casal verdadeiramente companheiro e comprometido.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>vamos l\u00e1: fico constantemente mal impressionada com o comportamento de certos pais que vejo por a\u00ed em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e cuidado dos seus filhos. e fico ainda mais envergonhada e constrangida pelo comportamento das respectivas m\u00e3es, que no fundo refor\u00e7am o problema (e podem at\u00e9 ser a causa deles).<\/p>\n<p>nem vou me estender no m\u00e9rito da escolha do parceiro pra ter filhos, porque a\u00ed a coisa fica complexa. mas me pergunto quantas mulheres refletem sobre isso antes de engravidar, como eu fiz. eu poderia ter tido filhos muito antes na vida, de muitos outros pais, e preferi esperar porque queria ter filhos somente com algu\u00e9m que eu realmente identificasse como um bom pai, al\u00e9m de ser um bom companheiro pra mim. mas enfim.<\/p>\n<p>quando vejo as m\u00e3es reclamando dos seus maridos como pais, n\u00e3o sei de quem tenho mais raiva. as coisas que mais me chamam a aten\u00e7\u00e3o (e espantam) s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>cansa\u00e7o excessivo<\/strong>: n\u00e3o tenho d\u00favidas que criar crian\u00e7as cansa e d\u00e1 trabalho. mas por que s\u00f3 a m\u00e3e vive cansada e esgotada? a menos que voc\u00ea n\u00e3o tenha nenhuma ajuda pra fazer as atividades da casa, n\u00e3o consigo entender o stress. mesmo que voc\u00ea decida ficar amamentando 6 meses exclusivamente, dar o peito \u00e9 a \u00fanica coisa que s\u00f3 voc\u00ea pode fazer. todas as outras (to-das!) podem ser feitas por outras pessoas (arrotar, fraldas, banho, ninar, cuidar da casa). s\u00f3 consigo entender esse problema se n\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de ajuda por parte de mais ningu\u00e9m ou o pai trabalha o dia todo e n\u00e3o mora junto. porque ainda que ele trabalhe o dia todo, nada impede que no per\u00edodo da noite ele ajude nas tarefas. por que s\u00f3 1 dos pais deve se esgotar? ficar em casa cuidado de beb\u00ea e da casa \u00e9 um trabalho como outro qualquer.<\/p>\n<p>acho que muitas mulheres simplesmente assumem o papel de super-mulher e n\u00e3o querem pedir ajuda por quest\u00e3o de orgulho ou vaidade. outras muitas entram na viagem errada de que cuidar da casa e dos filhos \u00e9 responsabilidade exclusiva delas, porque o marido trabalha fora.<\/p>\n<p>e se seu marido \u00e9 do tipo de se recusa a ajudar, desculpe mas voc\u00ea escolheu muito mal seu companheiro pra come\u00e7o de conversa. e nunca \u00e9 tarde pra resolver esse problema, seja negociando uma mudan\u00e7a no comportamento dele, seja mudando as coisas dele pra outro lugar \ud83d\ude00 (ou voc\u00ea acha mesmo que ficar com algu\u00e9m que se recusa a ajudar com seu filho \u00e9 uma boa escolha no longo prazo?)<\/p>\n<p><strong>eles n\u00e3o sabem fazer nada direito<\/strong>: como mulher, confesso que essa \u00e9 uma armadilha que eu caio, independente de ter filhos. &#8220;eles&#8221; nunca fazem as coisas direito \ud83d\ude42 ou melhor &#8211; eles nunca fazem as coisas do jeito que a gente quer ou do jeito que a gente faria. s\u00e3o coisas bem diferentes. e se voc\u00ea faria diferente, por que n\u00e3o negociar e conversar, ao inv\u00e9s de simplesmente reclamar ou ir l\u00e1 e fazer voc\u00ea mesma? \u00e9 verdade que \u00e0s vezes \u00e9 preciso ceder (e \u00e9 dif\u00edcil&#8230;), mas faz parte. \u00e9 isso que demonstra que um casal \u00e9 realmente companheiro e, bem, adulto.<\/p>\n<p>creio que mulheres s\u00e3o controladoras por natureza, e assumir o papel de m\u00e3e do seu companheiro \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o constante. \u00e9 muito mais f\u00e1cil ficar puta, ir l\u00e1 e fazer (ou refazer) alguma coisa do que conversar e explicar o que voc\u00ea preferia que tivesse sido feito. at\u00e9 porque \u00e0s vezes o outro tem seus motivos tamb\u00e9m pra fazer as coisas de outro jeito. o outro pode at\u00e9 estar errado, mas tem direito (e dever, ali\u00e1s) de assumir responsabilidades.<\/p>\n<p>seu marido n\u00e3o coloca a roupa na crian\u00e7a do jeito que voc\u00ea acha correto? ao inv\u00e9s de reclamar dele ou assumir essa tarefa sempre pra voc\u00ea (e depois reclamar que est\u00e1 sobrecarregada), converse com ele e negocie. quando os filhos entram no relacionamento, aquela fase de auto-reconhecimento do casal come\u00e7a toda do zero, afinal tem mais agu\u00e9m na equa\u00e7\u00e3o. \u00e9 preciso reaprender a viver junto. paci\u00eancia. pular essa fase, na minha opini\u00e3o, \u00e9 certeza de melecar o casamento.<\/p>\n<p><strong>s\u00f3 eu dou bronca<\/strong>: essa pra mim \u00e9 uma das piores armadilhas, de novo por falta de negocia\u00e7\u00e3o e excesso de controle. \u00e9 muito comum ver as m\u00e3es (que assumem a maior parte da responsabilidade e atividades com os filhos) serem as chatas e os pais serem os legais. fora os casos em que o pai \u00e9 a autoridade maior (<em>vou contar pro seu pai!<\/em> ou <em>s\u00f3 se seu pai deixar<\/em>, que eu acho execr\u00e1veis). \u00e9 essencial, de novo, negociar com seu companheiro, e os dois devem dividir a responsabilidade e a chatice que \u00e9 dizer n\u00e3o, cobrar, fazer comer, dormir, enfim: educar. a crian\u00e7a n\u00e3o pode ver os pais como personagens de uma hist\u00f3ria infantil manique\u00edsta. \u00e9 verdade que se a m\u00e3e passa mais tempo com a crian\u00e7a, \u00e9 mais prov\u00e1vel que tenha mais oportunidades de ser chata, e exatamente por isso \u00e9 importante que o pai use o tempo que tiver para atuar nesse papel tamb\u00e9m e equilibrar as coisas.<\/p>\n<p>neste item tem um fator que pra mim complica ainda mais a coisa: a culpa, especialmente quando um dos pais ou ambos trabalham. me parece que o fato de trabalhar e somente algumas horas com os filhos (se isso \u00e9 pouco ou muito eu acho discut\u00edvel) transforma os pais em ref\u00e9ns. j\u00e1 que passam s\u00f3 algumas horas do dia com seus filhos, eles querem ser &#8220;legais&#8221; e &#8220;divertidos&#8221;. nada contra ser legal, mas escuta: o papel dos pais n\u00e3o \u00e9 ser amigo dos filhos e nem entret\u00ea-los. seu papel \u00e9 educ\u00e1-los e garantir que eles sejam criaturas auto-confiantes e independentes. brincar faz parte do processo, mas \u00e9 s\u00f3 uma parte e muitas outras pessoas podem e quer brincar com seu filho. pouca gente quer de fato educ\u00e1-los.<\/p>\n<p>minha maior preocupa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do meu filho \u00e9 evitar a maldita culpa, fazer minha parte e ser feliz. al\u00e9m, \u00e9 claro, de balancear com meu companheiro a responsabilidade de educar nosso filho de tal forma que ele perceba que seus pais est\u00e3o afinados no relacionamento com ele. n\u00e3o quero ser a m\u00e3e chata, assim como tenho certeza que o <a href=\"http:\/\/palavrasbrutas.blogspot.com\">fer<\/a> n\u00e3o quer ser o pai autorit\u00e1rio ou permissivo.<\/p>\n<p><strong>mensagens\/atitudes contradit\u00f3rias<\/strong>: a m\u00e3e fala A e o pai fala B, na frente da crian\u00e7a. algum dos dois prevalece, e o mal est\u00e1 feito. em primeiro lugar, fica expl\u00edcito o problema da falta de conversa e cumplicidade entre os pais; em segundo lugar, a crian\u00e7a percebe que pode fazer alian\u00e7a com uma das partes pra conseguir o que quer.<\/p>\n<p>n\u00e3o acho que os pais t\u00eam que concordar em tudo e nem conversar sobre tudo com anteced\u00eancia, at\u00e9 porque \u00e9 imposs\u00edvel. mas \u00e9 preciso demonstrar cumplicidade e alinhamento, sim, pelo menos na frente da crian\u00e7a. nem que seja pra pedir uma pausa pra decidir, algo como &#8220;fulaninho, n\u00f3s precisamos conversar uns minutos antes de decidir sobre isso, por enquanto nada fica resolvido&#8221;. e se a decis\u00e3o for urgente ou n\u00e3o der pra esperar, acho que vale a que foi comunicada primeiro pra crian\u00e7a, mesmo que seja errada.<\/p>\n<p>sei que na pr\u00e1tica as coisas s\u00e3o mais complicadas que isso, mas meu ponto \u00e9 simples: os pais precisam concordar que mensagens conflitantes n\u00e3o s\u00e3o boas pra crian\u00e7a, e nem pro relacionamento. discordar \u00e9 normal e saud\u00e1vel, mas precisa ser tratado com honestidade e maturidade. uma crian\u00e7a n\u00e3o tem como acompanhar certas discuss\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es, acho saud\u00e1vel poup\u00e1-la de argumenta\u00e7\u00f5es entre os pais.<\/p>\n<p><strong>ci\u00fame do beb\u00ea<\/strong>: essa eu acho o horror absoluto. j\u00e1 ouvi hist\u00f3rias medonhas sobre pais que t\u00eam ci\u00fames dos filhos com as m\u00e3es, do tipo &#8220;voc\u00ea agora s\u00f3 pensa na crian\u00e7a&#8221; ou at\u00e9 ci\u00fame da m\u00e3e poder dar o peito e ele n\u00e3o (soube de uma que pai queria porque queria que a m\u00e3e tirasse leite do peito pra ele dar na mamadeira, porque era &#8220;injusto&#8221; s\u00f3 ela poder amamentar).<\/p>\n<p>a\u00ed \u00e9 o seguinte: ou voc\u00ea j\u00e1 era m\u00e3e de um adulto mal-resolvido antes do seu filho nascer (escolheu mal de novo, amiga&#8230;) ou voc\u00ea pode estar mesmo exagerando no papel de m\u00e3e. convenhamos, tem mulheres que piram na batatinha depois de parir e s\u00f3 pensam e falam nos filhos 24h\/dia.<\/p>\n<p>acho mais f\u00e1cil consertar e estar atenta ao segundo problema, \u00e9 uma quest\u00e3o de auto-conhecimento e adapta\u00e7\u00e3o. imagino que ser m\u00e3e pira a cabe\u00e7a da pessoa, mas com o devido interesse as coisas se ajeitam. basta querer, conversar (pedir pro seu companheiro ser honesto e conversar quando a coisa estiver ruim) e se empenhar pra melhorar.<\/p>\n<p>consertar a situa\u00e7\u00e3o de ter um filho mais velho e n\u00e3o um marido \u00e9 mais complicada. n\u00e3o quero minimizar a capacidade masculina de se corrigir, por favor, mas ELE precisa se tocar que precisa virar adulto e assumir responsabilidades, ser companheiro e n\u00e3o dependente. h\u00e1 homens que simplesmente n\u00e3o querem, e ponto final. querem sua mulher ali sempre dispon\u00edvel pra ele: linda, loura, cheirosa e cheia de apetite sexual. al\u00e9m, \u00e9 claro, de cuidar da casa e do beb\u00ea e n\u00e3o trazer problemas pra ele. al\u00e9m de trabalhar e ajudar com a grana, quando \u00e9 o caso.<\/p>\n<p>\u00e9 inaceit\u00e1vel um marido criar problemas ou conflitos com a m\u00e3e por ci\u00fame da crian\u00e7a. \u00e9 compreens\u00edvel sentir ci\u00fame, sim, porque sentimentos n\u00e3o s\u00e3o control\u00e1veis, mas as atitudes podem e devem ser controladas. e se a coisa estiver pegando forte, caro pai, fa\u00e7a um favor a voc\u00ea e \u00e0 fam\u00edlia toda: v\u00e1 pra terapia.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>dito isso tudo, n\u00e3o posso deixar de comentar que vi exemplos \u00f3timos de pais que s\u00e3o o oposto de pelo menos alguns pontos que destaquei. tive por exemplo a oportunidade de acompanhar por v\u00e1rios anos a <a href=\"http:\/\/kaleidoscopio.blogger.com.br\">dani<\/a> e o <a href=\"http:\/\/paidemenina.blogspot.com\">felipeb<\/a> criando suas meninas, e preciso destacar o quanto acho o felipeb um pai e companheiro nota 10 em v\u00e1rios aspectos (a dani com certeza deve ter suas reclama\u00e7\u00f5es, por que perfei\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe :)). al\u00e9m de ter acompanhado a gravidez dela de pert\u00edssimo como parte integrante e n\u00e3o coadjuvante, apoi\u00e1-la e estar presente no parto, ele sempre foi 100% participante nas atividades das meninas, fazendo mais do que qualquer outro pai que eu conhe\u00e7o faz. lembro perfeitamente dele trocando fraldas sempre, dando banho, ficando com as meninas pra dani descansar, dando comida (e in\u00fameras broncas :D), brincando. os dois juntos como pais me passam a sensa\u00e7\u00e3o de responsabilidade compartilhada de fato, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 discurso. j\u00e1 vi tamb\u00e9m os dois discordarem, mas isso nunca os impediu de agir como adultos respons\u00e1veis. al\u00e9m disso tudo, eles mantiveram sua vida como casal ativa, fazendo atividades s\u00f3 deles e nunca esquecendo o que os uniu antes das meninas existirem.<\/p>\n<p>esse post, de certa forma, \u00e9 dedicado a eles. n\u00e3o porque sejam perfeitos ou modelos pra n\u00f3s aqui (at\u00e9 porque somos t\u00e3o diferentes que seria imposs\u00edvel), mas porque eles nos mostraram e mostram que \u00e9 poss\u00edvel ser pais e m\u00e3es adultos, al\u00e9m de companheiros de vida, mesmo com todas as dificuldades que esse cen\u00e1rio apresenta. beijo pra voc\u00eas, queridos \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>quero dizer o plural da metade masculina dos pais de uma crian\u00e7a, ou seja, o homem. eles podem ser nossos maridos ou n\u00e3o e morar na mesma casa ou n\u00e3o, tanto faz. quero falar um pouco sobre como vejo o papel dos pais na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, especialmente em colabora\u00e7\u00e3o com as famigeradas m\u00e3es. e 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