fabricando

usá-lo-ei

May 21, 2018 · Leave a Comment

[maio, 2016]

Otto, 5a9m, e as construções linguísticas mais improváveis na boca de uma criança:

 

Pai: “otto, onde você vai com isso?”

 

Otto: “vou guardar, CASO EU QUEIRA usar mais tarde”

 

Pode ser presidente interino, já, ou devo ensinar mesóclise antes?

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

universo

May 21, 2018 · Leave a Comment

Que lindo esse vídeo sobre as distâncias entre os planetas no sistema solar!

 

A pergunta do Otto hoje, no jantar: “qual é a importância do espaço, do planeta, de tudo?”

 

Como responde esse tipo de pergunta?

 

Falamos que a importância é relativa; e conversamos sobre o Big Bang. Comentário dele sobre o assunto:

 

“Explosões não CRIAM coisas; elas DESTROEM coisas.”

 

Ah, mas não é justamente esse o grande mistério e encanto no início de tudo, que já era tudo antes da explosão?

 

Explicamos que o Big Bang é como se espalhássemos uma caixa lotada de legos pelo espaço, e no decorrer de muito MUITO tempo as coisas fossem se encaixando infinitamente.

 

“Os números são infinitos né? Mas existem muitos mil legos.”

 

Existem. E aqui estou eu, pensando sobre a finitude dos legos e a infinitude do espaço.

 

Tenha filhos, e jamais deixe de se espantar com a capacidade deles de fazer perguntas absurdamente profundas.

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

aos poucos, nasce um vegetariano

May 15, 2018 · Leave a Comment

Lição de casa do Otto, de ciências (uma delícia <3), tinha uma questão pra classificar os bichos em carnívoros (onça), herbívoros (coelho) ou onívoros (porco).

Ele fez direitinho, pensou e me disse: “sabe qual o meu favorito? É o HERBÍVORO”.

Já vi tudo.

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

introvertidos, esses seres de outro planeta

May 14, 2018 · Leave a Comment

Achei que entendia introvertidos até o Otto crescer e se manifestar com a sinceridade mais pura, e percebi que os introvertidos mentem pra sobreviver.

 

Eu: “Otto, qual a coisa que você mais gosta de fazer no mundo?”

 

Otto: “ficar sozinho.”

 

Eu: “como assim?! Mas e brincar com os amigos, não é legal?”

 

Otto: “é sim, mas eu acho brincar sozinho mais legal.”

 

Um ser de um planeta diferente do meu. Me ensina todo dia que é fundamental admitir e respeitar que existem formas de viver e ser feliz diferentes das minhas.

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

dia das mães

May 14, 2018 · Leave a Comment

Numa das minhas séries de livros favoritas da vida, Duna, estão as Bene Gesserits — um coletivo exclusivo de mulheres, pautado por questões sociais, religiosas e políticas. Elas são uma força poderosa desse universo (literalmente, já que existe viagem espacial, e elas vão a todos os lugares), temidas e reverenciadas.

 

Além de terem desenvolvido técnicas de controle dos seus corpos e mentes, que as transforma em humanas sobrenaturais — têm poder de autocura, sintetizam antídotos, lêem expressões corporais sutis, controlam a própria ovulação e qualquer outra função corporal — essas mulheres têm domínio consciente das suas memórias genéticas. Através de um ritual de alto risco, elas restauram as memórias de todas as mulheres da sua linhagem genética, acumulando o conhecimento de todas as suas gerações.

 

A combinação dessas duas coisas — autocontrole e conhecimento ancestral — faz delas a maior força do universo.

 

Elas controlam quando procriam, só se submetem se assim o desejarem e escrevem sua própria história, influenciando e desenhando a história do universo.

 

**

 

Hoje é dia das mães, e não há uma sequer entre nós que não traga consigo a mãe, e seu legado. Esteja sua mãe presente ou não, uma versão dela vive em você. É a ela que você recorre quando precisa fazer esse papel — tendo filhos ou não.

 

Minha mãe está viva e forte dentro e (sorte minha; vida longa a ela) fora de mim. Mais que cuidado e proteção, ela me entregou (e ainda entrega) uma história de tantas mulheres que vieram antes de nós, que erraram e acertaram para que estivéssemos aqui. Ela me ensina sobre não ser eu, mas uma multidão de outras que vieram e virão.

 

Amigas, irmãs: a mãe que existe em mim saúda a mãe que existe em vocês. Sobrevivemos. Vamos mudar o mundo, com amor e força.

 

❤👊🏻

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

a auto-estima do seu filho ;)

May 11, 2018 · Leave a Comment

Otto hoje teve que escrever e ler a letra de uma música que ele gostasse muito para os amigos (todas as crianças apresentaram). Ele escolheu “peixinhos do mar” (a do Milton, linda, amo). Eu quis saber como foi:

 

Eu: “e aí, amor, me conta como foi a leitura pros amigos!”

 

O: “eu só li a primeira parte, mas os amigos gostaram mesmo assim!”

 

Eu: “puxa, que legal! E você, de qual música mais gostou?”

 

O: “bem, pra ser sincero eu gostei mais da minha própria.”

 

Eu: “HAHHAHAHAHA [eu ri alto mesmo, não deu] bom, te entendo…”

 

O que fazer com essa criança?

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

melhor assim

May 11, 2018 · Leave a Comment

Cheguei na escola pra buscar o Otto falando no celular com a Kelly.

Errei feio, errei rude — o menino me viu no telefone e fez cara de muito puto. Mesmo eu indo dar beijo e falando com ele enquanto falava com a tia.

Desliguei, perguntei umas coisas e depois já no carro perguntei:

 

Eu: “você ficou bravo que a mamãe tava no celular?”

O: “é, fiquei sim.”

Eu: “é porque não te dei atenção?”

O: “é.”

 

Eu: “você tem razão — quando for te pegar não vou mais estar no telefone, tá?”

 

O: “é, eu acho que assim é melhor mesmo.”

 

JESUSMARIAEJOSÉ, essa criança.

→ Leave a CommentCategories: Uncategorized

meleca

May 4, 2018 · Leave a Comment

Antes de ser mãe, eu pensava: nossa, tomara que meu filho não seja essas crianças melequentas e ranhentas, acho nojento!

 

(Há muitas coisas que a gente acha a respeito de crianças e maternidade antes de ter filhos que depois só consegue pensar: 🙄)

 

Primeiro que o conceito de “nojento” foi bastante modificado depois do processo de cuidar de um bebê. Bastante MESMO.

 

Segundo que o nariz do Otto simplesmente não escorre. Acho que vi o nariz dele escorrer uma, duas vezes, em quase 8 anos.

 

Que sonho né? Não. Porque não é que não tem meleca, ela tá lá dentro. E ele aspira, mantendo tudo lá dentro e contaminando o canal do ouvido (ouvido e o nariz são conectados por canais finíssimos, que quando entupidos por UMA GOTA de meleca… infecção).

 

Ou seja — menino com infecção de ouvido desde terça (a boa notícia é que quanto mais a gente cresce, menor a incidência desse tipo de doença).

 

Cuidado com o que deseja.

 

Bom dia!

 

→ Leave a CommentCategories: doenças da infância

mãe chata

April 17, 2018 · Leave a Comment

No drama da lição de hoje, tivemos chiliques de ambos os lados por motivo de criança que se recusa a seguir instruções e quer fazer tudo do seu jeito.

 

Até que eu desisti e falei FODACE (ou em versão traduzida pra criança — não faz então, e sofra as consequências); e ele fez a porra da lição lá do jeito dele.

 

Nem jantar servi. Deixei ele se virar com a comida que deixei na mesa (normalmente eu sirvo, arrumo tudo, mãe de comercial de margarina).

 

— “também não vou guardar nada!”

 

(FODACE. Silêncio.)

 

— “… tá bom, tá bom, eu guardo.”

 

Guardou. Mas enquanto guardava…

 

O: “sabe, mamãe, você não tá sendo legal.”

 

Eu: (YOU HAVE NO IDEA, KIDDO) “nem você.”

 

O: “mas eu só não tou lendo legal AGORA. Nas outras horas eu sou.”

 

Eu: hm. “É verdade. E eu, sou chata sempre ou só agora?”

 

Quem mandou perguntar?

 

O: “sempre. Você não me deixa fazer só o que eu quero.”

 

Eu: “é, não mesmo.”

 

E hoje ainda é segunda.

 

Agora entendi porque meus pais enchiam a cara.

→ Leave a CommentCategories: educação · escola

olhos

April 17, 2018 · Leave a Comment

Otto leu um texto (na famigerada tarefa) que falava sobre uma criança indígena que ajudava o pai a pescar, e comia peixe.

O: “mas eu não como peixe!”

Eu: “lógico que come. Aqui no temaki, ó, isso é peixe. Salmão.”

O: “não é não. Peixe tem olho!”

Eu: “esse aí também tinha, junto da cabeça, que foi pra outro canto.”

O: …

 

Mais tarde, quando o Fer ofereceu temaki (que até ontem ele comia loucamente, assim como sushi e sashimi):

O: “eu quero, mas sem o peixe. Só a alga e o arroz.”

 

Danou-se.

→ Leave a CommentCategories: alimentação