fabricando

bê-á-bá

November 8, 2017 · Leave a Comment

[nov-2016]

Otto e suas perguntas lindas:

“Mamãe, por que as palavras são escritas daqui [esquerda] pra lá [direita]?”

Disse que não sabia, mas que no nosso idioma é assim, mas outros como o japonês e árabe eram ao contrário.

Aqui um pouco sobre o assunto, pra quem tiver curiosidade <3

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benjamin button

November 3, 2017 · Leave a Comment

[nov-2016]

Estávamos em silêncio comendo, e ele começa:

O: “Papai, o que é o seu trabalho?”

Fernando: “nossa que pergunta legal, Otto! Eu entrevisto pessoas sobre alguns assuntos e faço um resumo pra outras pessoas sobre o que elas pensam.”

O: “eu não quero trabalhar. Trabalhar é chato!”

(Tão novo, tão acordado)

Eu: “por que você acha chato? Você já trabalhou?”

O: “eu fiz um trabalho na escola e não gostei, achei chato”

(Só porque você está atento, meu querido. I feel your pain)

Eu: “que parte foi chata? Conta mais?”

O: “sabe, eu só brinco com os amigos pra você ficar feliz Papai, porque eu não gosto de brincar com eles”

(Podiam ter arrancado meu coração batendo nessa hora e tava OK, ia doer menos)

Eu: “ô meu amor, a gente é feliz com você de qualquer forma. Você não precisa tentar fazer a gente feliz tá?

Mas me diz qual é o problema com os amigos — por que você não gostou de brincar e fazer o trabalho?”

O: “eu não gosto do LF. Ele não ouve a prof, não faz as coisas que precisa fazer e faz bagunça”

(Meu filho, bem vindo ao mundo. Lamento que você tenha vindo pra organizar e não pra bagunçar. Sua vida será difícil)

Eu: “ele é uma criança, meu amor. Ele tá aprendendo — ele vai aprender a seguir as regras e fazer as coisas junto. É questão de tempo, tem que ter paciência”

(Ou não, né. Tá aí um monte de mané que só faz merda, mas o menino já tá desanimado o suficiente e não precisa de mais realidade na vida)

**

Não lembro como a conversa terminou. Sei que morri um pouco com a seriedade e clareza dele sobre o que incomoda. Eu me senti assim várias vezes em relação às pessoas de forma geral (em especial na escola, já na pós graduação), mas eu tinha 30 fucking anos. O menino tem SEIS.

Me dá uma tristeza enorme ele observar o mundo desde ângulo, e não se encaixar.

Uma professora Waldorf, quando ele estava com 2 anos, nos falou “esse menino é muito pequeno pra ser tão ‘acordado’,” como eles falam. Acordado = entendendo o mundo como ele é, sem a lente da infância. Ele não sente / se comporta como uma criança pequena que é.

Espero de coração que ele encontre sua criança interna com os anos 💔

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lista de Natal

November 3, 2017 · Leave a Comment

[nov-2015]

Esse dia chegou e me pegou despreparada (mas não mudaria a resposta). Otto começou a negociar presentes de Natal, falei que ele podia fazer uma lista e a gente ia ver como ficava.

Otto: “mamãe, eu vou pedir os mecanimais pro Papai Noel! Será que ele traz?”

Eu: “acho que sim, amor, quer fazer uma cartinha e a mamãe manda?”

Otto: “quero. Mas, mamãe: o Papai Noel existe DE VERDADE?”

(!!!! PQP, e agora?!)

Eu: “não, Otto, ele é um personagem.”

Otto: (… pensou uns segundos) “tá bom; eu vou fazer a lista do que eu quero e a gente manda!”

**

Nunca mentimos pra ele sobre a existência de seres imaginários, não ia começar agora. Super incentivo a imaginação e brincamos com saci, curupira, superman, coelho da Páscoa e, bem, Papai Noel. Ele parece lidar bem com a existência fictícia de todos eles, se diverte e entra no jogo.

Mas me impressionou a especificidade da pergunta: ele existe de verdade? É diferente de “existe papai noel”. Acho que de alguma forma ele já sabia que ele existe, mas não como uma pessoa, é uma ideia, uma fantasia.

Esse menino é bem louco.

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uma coisinha

November 3, 2017 · Leave a Comment

[nov-2013]

Eu: “Otto, quer comer uma coisinha antes de ir pra casa?”

Otto: “Ahhhh… Eu gosto de comer uma coisinha, sim!”

 

Hahhahahhahaha <3

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virando estrela (com ajudantes)

November 1, 2017 · Leave a Comment

[nov-2016]

Numa conversa comigo hoje sobre o tempo (minutos, horas, dias), Otto mencionou que ia demorar “1000 anos” pra fazer alguma coisa, e…

 

Eu: “Ih, a gente não vive tanto tempo! Só os jequitibás e outras árvores vivem tanto”

 

O: “mas então o que acontece com a gente?”

 

(Ops)

 

Eu: “a gente morre, vira outra coisa. Tipo constelação, lembra dos pais do Homem da Lua?”

 

O: “ah, eu vou ficar pra sempre! Eu e meus ajudantes!”

 

(Hahhahahaha, fodam-se os pais e todos os demais)

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quando crescer

November 1, 2017 · Leave a Comment

[nov-2016]

A gente que é pai e mãe fica com altas fantasias do que o filho vai ser quando crescer, e as pessoas bem cedo começam a perguntar, é louco. (Acho um saco. Que nem a história de perguntar de namorada, que odeio)

 

Não costumo perguntar, porque detesto, mas claro que tenho curiosidade. O que será que esse menino vai querer fazer da vida quando crescer? Pela personalidade vou estranhar muito se ele não for das exatas, mas sei lá, capaz de virar físico, vai saber.

 

Só que outro dia ele me contou, assim bem nonchalant: “mamãe, quando crescer vou ver o Batman.”

 

ESPERO QUE NÃO, PQP, que fiz planos pra virar ecoterrorist4 depois de aposentada, ok?

 

(Interpretei que ele quer ser ninja ou ator, qualquer um dos 2 tá ok.)

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POR QUÊ?!

November 1, 2017 · Leave a Comment

Fomos com o Otto pra uma consulta médica (rotina) com o pediatra que cuidou dele recém-nascido (maravilhoso!), e apesar de um pouco resistente ele aceitou ser examinado.

 

Deitado na maca, enquanto o médico examinava o abdome (chatíssimo, convenhamos):

 

O: “ain, não devia ter concordado em entrar aqui, viu?”

 

(Mas deixou terminar)

 

HAHHAHAHAHHAHA! ❤️

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BURP

November 1, 2017 · Leave a Comment

[nov-2015]

Fomos tomar café da manhã numa pousada que tem feira orgânica (pegamos tudo do pé, Otto adorou), servi pão, frios, suco, café caprichado, delícia.

O local, além de vazio, era quase absolutamente silencioso, só casais, nenhuma criança. Duas ou três vezes tivemos que “lembrar” o Otto de falar mais baixo.

Comeu tudo, tava ansioso pra ir pro quintal, a gente ainda comendo:

Eu: “Otto, estamos comendo ainda. Você acabou? Tá satisfeito?”

Otto: *BUURP*

Alto. Naquele silêncio.

Pelo menos respondeu a pergunta, afinal.

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violino

November 1, 2017 · Leave a Comment

[nov-2015]

(Pediu pra colocar a música “do Burn-e” — a 9a de Beethoven, coloquei)

O: “mamãe, eu quero aprender a tocar esse ‘violão’ que toca nessa música!”

<3

(É fofo, mas vai que ele gosta mesmo? Quero nem pensar em treino de violino em casa, socorro! Vou levar ele pra conhecer uma escola de música, de qualquer forma)

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tenha filhos :D

November 1, 2017 · Leave a Comment

[nov-2015]

Tenha filhos, parte 1:

 

Seg. a Sex., 6:30: “nãoooooo! Quero dormiiiiiirrrrrrr! Me deixaaaaaaaa!”

 

Sáb., Dom. e Feriados, 6:20: “BOM DIA, PESSOAL! O SOL JÁ CHEGO-OU!”

 

**

 

Tenha filhos, parte 2:

 

(Separei uma blusa do Batman pra ele vestir)

 

O: “mamãe, eu quero a outra blusa do Batman!”

 

Eu: “ah, Otto, coloca essa mesmo que não sei onde tá a outra”

 

O: “mamãe, peraí!”

 

(Foi pro quarto dele, e eu, inocente, não fui atrás imediatamente)

 

Cheguei lá e encontrei isso aí. Ele não tinha chegado na gaveta onde tava a outra camiseta.

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