fabricando

sobre coisas novas

June 19, 2017 · Leave a Comment

[14-abril]

 

Tivemos um episódio épico aqui hoje de #PaisDeCesárea, e faço questão de registrar 😀

 

Otto tem direito a 2h por dia de TV, (quase) sem supervisão. A gente fica de olho no que ele escolhe entre Netflix Kids e YouTube, e geralmente dá certo. Ele tá na fase Lego Addicted, e fica vendo até trailer do Batman Lego loucamente. Beleza, são as 2h dele.

 

Ver coisas novas é sempre um drama — aquele terror dos pais com os filhos pra experimentar comidas, por exemplo, nunca houve aqui. Em compensação cada filme novo é um drama mexicano. Ele nunca quer tentar nada novo, sofre muito com a tensão nos filmes (sempre quer desistir, ele acha que vai dar tudo errado), odeia os vilões de forma visceral… enfim, um processo. Depois de ver uma vez, melhora e às vezes até se apaixona, mas a 1a é punk.

 

Convidamos pra ver um filme novo, conosco — Zootopia (pegamos um que queremos ver também). Não, claro que não, e tal, mas depois de um pouco de drama, topou. Na 1a cena mais dramática da coelhinha com a raposa, já ficou tenso, quis sair. Quando ela cresce e vai embora de casa, o bicho pegou. “Por que ela não fica com os pais?” — “ela ainda é pequena!” — “eu NUNCA vou morar em uma cidade diferente de vocês!”.

 

E foi ladeira abaixo, não quis ver. Nós queríamos ver. “OK, Otto, pode ir brincar no seu quarto, desenhar, ler. Nós vamos ver.”

 

Mas a pessoa é teimosa. Determinada, vocês podem dizer também 😀

 

“Olha, mamãe, essa situação tem 3 opções, sendo que duas delas são PÉSSIMAS:

 

1) eu assisto filme com vocês

2) eu não assisto o filme com vocês

3) eu assisto só o que eu tenho vontade de assistir.

 

Viu? A 1a e a 2a são PÉSSIMAS!”

 

Foi aí que eu comecei a gargalhar, mas tudo bem, porque ele só tava meio alterado e falando muito com as mãos.

 

Expliquei que a opção 3 não era opção, já que ele tinha gasto as 2h de TV do dia. Reforcei as opções existentes.

 

“Ah, sabe o que é, então, mamãe? Eu tou com fome. Preciso jantar AGORA.”

 

(Tudo pra eu não poder ver o filme. Até comer sem fome tava valendo)

 

Expliquei que não ia parar agora pra fazer jantar, que isso se chamava MANIPULAÇÃO — ele só queria que a gente não visse (a porra do) filme. Não falei a porra do filme, mas essa é a ideia.

 

Cedi um pouco: “OK, Otto. Em meia hora então eu paro o filme e vou fazer o jantar. Até lá, você ache outra coisa pra fazer”.

 

Ah, senhores. A mente maquiavélica e sem filtro de uma criança controladora…

 

“Hmmm sabe o que é, pessoal? Eu tenho coisas MUITO IMPORTANTES pra falar pra vocês, e vai demorar mais ou menos MEIA HORA pra falar…”

 

E sentou pra falar.

 

Eu rindo de chorar, o Fernando já com soluço de tanto engolir o riso, nenhum dos dois conseguindo articular mais nada nessa altura, uma mistura de putos e achando engraçado.

 

Ele não ia desistir. Avisamos que não ia ter conversa alguma, que ele falasse depois, e ele começou a dar chilique, e a gente rindo abafado porque não tinha condições de lidar com tanto drama, olha… foi horrível. E engraçado.

 

Até que me enchi e avisei que ou parava aquilo já ou as 2h de TV do dia de amanhã também estariam canceladas.

 

“Tá bom, eu tou calmo. Eu vou pro meu quarto”.

 

Ligamos o filme, e ele foi mesmo. Fechou a porta e ficou lá chorando um pouco e depois ficou OK.

 

No tempo combinado, voltei, fui fazer o jantar, ele quis ir ajudar.

 

“Sabe, mamãe, eu fiquei aqui lendo ‘os opostos’, que eu consigo ler sozinho. Demorou um pouco pra passar o tempo.”

 

Ô, pequeno. 💔

 

Jantou panqueca de banana com melado, queijo de coalho e pitaya. Alguma compensação eu tinha que oferecer né, nem que seja do meu jeito, pelo estômago. ❤️

**

1 Pais de Cesárea x Otto 0

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teens

June 19, 2017 · Leave a Comment

Estamos aqui fazendo uma jam session de lira (Otto) e ukulelê (eu), e ele quer tocar uma “música sombria”.

 

Eu tento aqui o melhor que consigo (ukulelê só tem modo FELIZ, vocês sabem), não rola muito, e levanta e me avisa:

 

“Vou tocar no meu quarto, você fica aqui.”

 

Oi?! 😀 quando foi que esse menino fez 13 anos?! Hahahhahaha 

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S-A-P-O

June 12, 2017 · Leave a Comment

[10-jun-2016]

 

O: “mamãe, eu sei escrever sapo!”

 

Eu: “e como é?”

 

O: “um S, um A, um P e um O!”

 

Eu: “meu amor, que legal, você soletrou pela 1a vez!”

 

O: “eu fiz o quê?!”

 

(E a mãe toda contente foi lá contar o que significa SOLETRAR 😍❤️)

 

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virgo

June 12, 2017 · Leave a Comment

[11-jun-2016]

HAHHAHAHAHAHA criança virginiana assistindo o 1o Homem-Aranha, aquele do Duende Verde, na cena final o Duende morre espetado pelo próprio “skate”, sangue pra todo lado, Peter todo estropiado:

O: “puxa, ficou tudo uma bagunça, uma sujeira! O Homem-Aranha vai ter que limpar tudo!”

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sobre ser diferente

June 12, 2017 · Leave a Comment

Lendo um livro sobre medo, na Livraria da Vila, uma das páginas fala sobre o medo de ser diferente — é uma menina com uma boneca na mão, numa prateleira cheia de bonecas iguais entre si, e diferentes dela.

 

O: “por que ela tem medo de ser diferente? Por que ela quer ser igual à boneca?”

 

Eu: “porque quando ela vê as bonecas todas iguais ela acha que ela também precisa ser assim pra ser bonita.”

 

O: “então ela não sabe que ser diferente é legal?”

 

❤

 

Eu: “que bom você achar isso! Ela não sabe não, mas olha — ela encontra uma amiga parecida com ela e fica feliz.”

 

O: “mas se fôssemos (!) todos iguais ia ser chato, todo mundo ia falar a mesma coisa.”

 

Eu: (pensa num orgulho?) “é isso mesmo, meu amor. É super legal ser diferente.”

 

Quando a gente vê a importância de ler para uma criança os livros que falam sobre diferenças. Ele ama especialmente um que chama “O mundinho sem bullying”, que fala também sobre isso, e sobre respeitar cada um do jeito que é.

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quadrilha

June 12, 2017 · Leave a Comment

Otto se recusou a dançar na quadrilha, não queria nem sair de casa. Fernando fez ele ir lá e explicar pra professora e os amigos que não ia dançar, já que esperavam por ele.

 

Pois foi, explicou e não cedeu mesmo todo mundo insistindo.

 

Eu: “mas que pena, Otto! Você ensaiou e tudo, ia ser divertido, não acha?”

 

O: “é divertido sim, mas eu não quis mesmo assim.”

 

Não consigo nem achar ruim — adoro ver ele de caipira e fazendo as atividades, mas fico mais feliz vendo que ele sabe bem o que quer e não tem medo de se posicionar.

 

(Mas torço pelo dia em que ele vai realmente ter prazer na companhia dos amigos da escola)

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obcecado

June 9, 2017 · Leave a Comment

Eu não tou lá pra acompanhar, mas o Fernando vai me atualizando das elucubrações <3

 

*

 

No banho:

 

O: “Paiê, o que é obcecado?”

 

F: “É quando alguém só pensa, ou pensa quase o tempo todo, na mesma coisa, no mesmo assunto. Por exemplo, se você só pensasse no Lego Batman, você seria obcecado pelo Lego Batman. Você é?”

 

O: “Eu não. (Pensa) Mas o Batman é.”

 

F: “É mesmo? Pelo quê?”

 

O: “Pelo Coringa. E por batalhas. E por trabalhar sozinho.”

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tia claudia <3

June 9, 2017 · Leave a Comment

[9-jun-2013]

Essa semana, contando a história do tio Fernando Weno pro Otto, ele me parou no meio e perguntou: “e a tia Claudia? Tá fazendo papá pra gente?” Expliquei que ela tava má casa dela, no Rio, e ele informou: “quero visitar a tia Cláudia em Copacabana.”

Fala se é possível, Clau?

<3 <3

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mundinho

June 9, 2017 · Leave a Comment

[9-jun-2015]

Otto tá abusadíssimo ultimamente. Foge da gente, diz que não vai fazer o que a gente pede (ou que a gente combina, convence, chantageia…), anda até arriscando uns empurrões e socos (de leve, meio testando, mas tá ousado!)

 

A gente não dá mole, fala duro, explica, corta uns privilégios, enfim, faz o que pode pra tentar mostrar que não dá pra ser insuportável sem consequências.

 

Mas é difícil dar limites quando a gente vê uma coisinha desse tamanho enfrentando adultos com tanta confiança. Dá uma mistura de vontade de rir com orgulho (YOU GO, BOY!), e é preciso se controlar muito pra não rir 🙂

 

**

 

Tomando café comigo na segunda de manhã, pós feriado, 7am:

 

Otto: “mamãe… Eu queria ficar aqui NO MEU MUNDINHO” (botou o indicador no meio da palma da mão aberta, mostrando) “aqui na nossa casa. Eu não queria ir pra escola”

 

Eu: “eu sei que é difícil sair de casa de manhã, mas a gente sempre volta. Mamãe vai pro trabalho e volta, papai sai e volta, você vai pra escola e volta também”

 

Mas lá no fundo, olhando o quintal e a luz linda do sol da manhã, pensei e senti que entendo demais esse menino. E me impressiona a clareza com que ele percebe coisas tão difíceis de admitir pra quem vive há tantos anos nesse mundo que foi feito muito mais pra viver do lado de fora que do lado de dentro.

 

**

 

No mais, não sei de onde saiu esse “meu mundinho”, nunca falamos isso pra ele. Vou ter que investigar 😀

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leite condensado

June 9, 2017 · Leave a Comment

[9-jun-2016]

Fui fazer a intervenção de leite condensado na canjica (melhorou uma barbaridade! :D) e sobrou uma colher de chá de leite condensado. Ofereci pro Otto (nunca comeu puro antes), ele ficou meio desconfiado mas decidiu: “vou tentar!”, tentou.

 

O, após colherada: “OPA!!!!!”

 

(1 minuto depois…)

 

O: “Ô mamãe, tem mais dessa coisa aí que eu não sei o nome?!”

 

Crack legal, meu filho, é crack legal.

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